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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Paisagens do litoral norte gaúcho: Osório (RS)


O município de Osório é  amplamente conhecido por estar "no caminho" - seja para o litoral norte gaúcho, para o litoral catarinense. Mas o potencial do patrimônio natural e cultural certamente qualificariam a cidade como destino final. De uma forma ou de outra, vale a pena conhecer Osório - abaixo, alguns pontos interessantes que visitamos entre Janeiro e Fevereiro de 2017.

Lagoa dos Barros

Uma das maiores lagoas costeiras do litoral norte gaúcho, a Lagoa dos Barros, na porção territorial de Osório, está no imaginário gaúcho tanto pela presença paisagística às margens da "estrada velha" e da Freeway, quanto pelas lendas que a cercam.

A Lagoa dos Barros tem, em uma de suas margens, uma extensa faixa de praia de areias brancas e finas. O local pode ser acessado pela RSC 101/ BR 101 no trecho que vai em direção a Capivari do Sul e Mostardas.

 A porção relativa a o Osório foi batizada de Praia da Santinha. O local é bastante visitado em finais de semana no verão, e moderadamente visitado durante a semana. Seguindo a estrada de chão batido em direção a Santo Antônio da Patrulha, é possível achar uma "praia particular", uma vez que a área de praia é muito extensa.

Devido às dimensões da lagoa e aos ventos quase sempre presentes, aspecto é muito semelhante ao de uma praia de mar. Ganha vantagem por ter pouca profundidade e águas numa temperatura bem adequada para banhos.


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Lagoa do Marcelino

Na Lagoa do Marcelino, que fica junto a cidade de Osório, funcionou o Porto Lacustre, do qual existe um memorial no local. O local faz parte de uma série de lagoas interligadas. Recentemente recebeu infra-estrutura e um tratamento paisagístico muito bonito, e tem sido bastante frequentado em finais de tarde pelos próprios cidadãos.

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Lagoa do Peixoto 

A Lagoa do Peixoto, contígua a do Marcelino, é uma das paisagens mais bonitas de Osório. A lagoa é limitada pela serra geral, que traz um belo contraponto visual às águas calmas.
É possível acessar gratuitamente as margens da lagoa pelo camping municipal, igualmente bastante procurado em finais de semana de verão, e moderadamente procurado em outros dias. Visitamos de manhã (melhor horário para visualizar os morros ensolarados) e não havia ninguém.

A qualidade das águas para banhos é monitorada pela Fepam e divulgada em placas no local.




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Lagoa do Horácio



De proporções bem menores do que as demais lagoas, a Lagoa do Horácio destaca-se pela beleza paisagística proporcionada pelas árvores repletas das bromélias conhecidas popularmente como "barba de pau". Em segundo plano, a paisagem também é marcada pela linha de morros da serra geral. É um belo local pra apreciar o pôr-do-sol.

As águas são tranquilas e sua qualidade monitorada pela Fepam e o acesso é gratuito pelo camping municipal.

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Cascata da Borússia 


Subindo o Morro da Borússia, a paisagem de Osório muda drasticamente para um aspecto serrano. Quase na divisa com Caraá, é possível encontrar o Sítio da Cascata da Borússia. 
O ingresso para o local atualmente é de R$ 10,00/pessoa. 


Além da belíssima cascata da Borússia, onde é possível encarar um banho bem gelado, no local também é possível visitar a "cascata da Santinha".


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No caminho para a Cascata, uma imponente edificação de madeira à beira da estrada.

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Cidade de Osório

A própria cidade de Osório ainda apresenta alguns atrativos culturais - são edificações históricas remanescentes que certamente poderiam ser mais valorizadas.


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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Paisagens paradisíacas no litoral norte gaúcho: Três Cachoeiras (RS)



Três Cachoeiras é um daqueles municípios que muitos conhecem apenas "de passagem": situado às margens da BR-101, é velho conhecido de quem busca as praia de Torres (RS) ou do litoral catarinense.
A vista da cidade às margens da rodovia, apesar de belas visuais da lagoa da Itapeva e dos contrafortes da Serra Geral, passa longe de representar toda a riqueza do patrimônio ambiental e cultural de Três Cachoeiras.

"Prainha" da Lagoa da Itapeva

O primeiro ponto de interesse fica bem próximo do centro da cidade: trata-se da "Prainha" da Lagoa da Itapeva, acessada pela rua Manoel José Scheffer. Há sinalização no caminho.

Após passar pelo cemitério, a estrada torna-se bem estreita e pedregosa, com passagem por dois pontilhões de madeira um pouco precários. A recompensa são as belas visuais da lagoa, quando estamos nos aproximando da Prainha, cujo acesso é aberto.

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A Prainha de Três Cachoeiras é um local muito tranquilo e aprazível, sombreado por figueiras já bastante antigas. A orla curiosamente é de pedras, provavelmente trazidas pelos rios que desaguam na Lagoa da Itapeva.

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Provavelmente haja algum movimento em finais de semana nos dias de verão. Quando estivemos por lá, durante a semana em fevereiro/2017, não havia ninguém, sendo possível ouvir a ondulação das águas da lagoa!

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Mesmo estando no sopé de um morro, é possível avistar ao longe a linha da serra geral, em contraponto com a grande planície litorânea e as lagoas.

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Rio da Terra e Alto Rio da Terra

Enquanto a paisagem junto da lagoa é típica do litoral norte gaúcho - o contraponto do desenho da serra geral, com a grande planície com lagoas costeiras e o mar ao longe - o interior dos vales Três Cachoeiras, junto a serra, já apresenta características completamente diferentes.



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A paisagem rural é marcada pela colonização por imigrantes, tratando-se de uma região ainda muito pouco estudada sob o ponto de vista histórico. No nosso caso percorremos a localidade de Rio da Terra, acompanhando o vale ao longo do Rio Cardoso. marcado pelos morros cobertos de mata nativa, os campos nas propriedades rurais e a presença de araucárias.

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Persistindo na mesma estrada, contornando o vale. A estrada em geral em bom estado, mas conforme se aproxima do final, vai definhando. Superando isso, chega-se no paradisíaco "Poço das Andorinhas". Parece uma reedição mais selvagem da famosa Cascata do Garapiá de Maquiné. As águas transparentes e geladíssimas da cascata formam um cenário incrível, uma verdadeira piscina natural. O banho de cachoeira é maravilhoso, precisando cuidados para equilibrar-se sobre as pedras bastante escorregadias!

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Subindo uma escadaria e uma breve trilha, é possível visitar o Poço dos Morcegos. Neste, as águas correm sobre as pedras, formando uma espécie de "toboágua" natural. As águas igualmente transparentes.

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Há ainda outros pontos interessantes, como o Morro Azul e outras cascatas, que ficaram para uma próxima vez. A beleza das paisagens, tanto junto a lagoa quanto na zona rural, certamente são um diferencial enorme do município de Três Cachoeiras.

É quase inexplicável que estes lugares sejam tão desconhecidos. Estão entre os mais bonitos do litoral norte!

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Um pouco do interior de Gramado (RS)

Tenho ouvido alguns dizerem que a Serra Gaúcha vai muito além de Gramado, considerando um desperdício o tempo que as pessoas passam no município mais badalado pelos turistas no Estado, tendo tanta coisa melhor pra se fazer. Não deixo de concordar parcialmente, uma vez que toda a região tem paisagens impressionantes.

Entretanto, eu diria que Gramado mesmo vai muito além do que as pessoas costumam visitar, aqueles pontos turísticos mais estabelecidos de sempre. A situação geográfica e sócio-cultural do município é bastante peculiar e os atrativos fora do percurso padrão são bem significativos.

Já andamos recentemente esquadrinhando o interior do município, pelas Linha 28, Quilombo, Linha Carahá, Linha Bonita e Linha Nova. Desta vez, tentamos conhecer alguns dos caminhos ainda desconhecidos. Chegando a partir da RS-235, na divisa com Nova Petrópolis, em Linha Araripe, é possível pegar um caminho alternativo.

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Logo no início do caminho nos deparamos com uma capela muito singela, construída em técnica enxaimel e sem torre sineira. Chama a atenção encontrar uma edificação enxaimel original em Gramado, que é amplamente conhecida pela grande quantidade de prédios que apenas simulam a técnica construtiva alemã.

Seguimos em direção a Linha Ávila. Parte deste caminho é praticado por quem decide tentar desviar do pedágio, o que não é tão recomendável: a estrada de terra na subida do morro, logo no início, encontra-se em péssimo estado de conservação. Como nossa intenção era pegar caminhos alternativos mesmo, sem problemas.

No pontilhão seguimos em direção a Linha Ávila Baixa. A paisagem é típica de interior, com pequenas propriedades rurais. Ainda é possível encontrar algumas construções históricas no caminho.

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Há também um antigo grupo escolar de madeira - uma "Brizoleta". O exemplar é bem interessante, idêntico aos dois de Linha Carahá. Não deu pra entender que função desempenha hoje, mas aparentemente o prédio parece ter sido vendido.

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Ao se aproximar do centro da cidade a estrada é pavimentada e gradualmente o local vai adquirindo ares mais urbanos. Por este ângulo enxerga-se a real dimensão da cidade de Gramado, que para quem visita ao centro, parece muito pequena.

Um ponto turístico um pouco lamentável é a Cascata Véu de Noiva. Antigamente, foi parada obrigatória para quem visitava a cidade. Embora o local ainda seja sinalizado, assim como a Cascata dos Narcisos que fica alguns metros antes, sua existência é tratada com certa parcimônia pelos órgãos públicos. O motivo é o forte cheiro de esgoto, devido a poluição do curso d'água.

A Cascata Véu de Noiva pode ser visualizada já a partir do refúgio existente no local, e é muito bonita. Desta vez decidimos não descer, e não tivemos coragem para visitar a dos Narcisos, pois a sujeira já começava na entrada da trilha. Estes dois atrativos turísticos estão extremamente degradados e necessitam urgentemente de atenção e seriedade da Prefeitura Municipal.

Problema à parte, seguimos o passeio e depois de um café no Lago Negro, visitamos outra localidade do interior, a Linha Tapera. No local existe uma pequena capela de pedra muito interessante, com campanário de madeira. Lembra uma versão bem mais singela da igreja do centro de Gramado.


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Ainda no local, um antigo moinho, do qual não pudemos nos aproximar muito devido a um cãozinho raivoso!

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Pra fechar, procuramos o mirante do Morro da Polenta. O local é de fácil acesso e tem uma vista muito bonita. Enxerga-se a estrada RS-235 cortando a serra e a sucessão de morros que a compõe nesta direção.


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O mirante fica junto a um bairro residencial bem tranquilo e parece ser bem pouco visitado. Há sinalização no acesso ao bairro onde ele se situa, no pequeno trecho em rua sem pavimentação, mas não há sinalização no acesso principal próximo a estrada. Ele está incluído num dos roteiros oficiais do município pelo interior, aparentemente o único público visitante. Ainda assim estava regularmente bem mantido, parece um ponto turístico com potencial de ser bem mais visitado.

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Encerramos assim mais uma exploração pelo interior de Gramado (RS)!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Serra do Pinto, Três Forquilhas e Cascata da Pedra Branca

A região da antiga colônia alemã de Torres sempre me despertou curiosidade. Iniciada junto da Colônia de São Leopoldo, o empreendimento colonizador litorâneo não teve o mesmo êxito provavelmente devido aos escassos e longínquos meios de ligação para escoar a produção colonial.

O estudo da arquitetura da imigração, empreendido pelo arquiteto Gunter Weimer, demonstra a interação entre a técnica construtiva luso-brasileira com a alemã, que nessa região teria sido ainda mais visível e expressiva.

Entretanto, não tive anteriormente a oportunidade de visitar a região, embora diversas vezes tenha passado por ela. Finalmente, no começo de 2016 decidimos aproveitar um trajeto entre o Vale do Sinos e o litoral para fazer um percurso bem maior: subindo a serra, para novamente descer pela estrada conhecida como Rota do Sol.

O percurso em São Francisco de Paula foi um pouco mais demorado do que o imaginado, compensado pelas belas paisagens dos Campos de Cima da Serra. Paisagem que começa a entrar em risco de desaparecer pela profusão do cultivo de acácias e outras culturas.

Ao atingir o município de Itati - um dos tantos municípios desmembrados do território que compreendia a antiga Colônia Alemã de Torres - a paisagem muda radicalmente. A estrada, então, começa a descer a Serra, serpenteando a encosta do vale do Rio do Pinto.

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A vista a partir da estrada é embasbacante e surpreendente. Visualiza-se a cadeia de morros, curiosamente todos de altura média alinhada. Uma casa comercial no início desta descida oferece um mirante com vista panorâmica. Parada obrigatória.

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Continuando a descida, após a sequência interessante de túneis, viadutos e curvas que compõe esse trecho da estrada, entramos em Três Forquilhas por um dos acessos secundários. Nesta entrada, ainda no lado do rio relativo a Itati, já foi possível registrar uma antiga casa de colono. A volumetria lembra bastante a de uma casa enxaimel, não sendo impossível que se trate de um exemplar rebocado. Mas também pode ser uma residência já em alvenaria. De qualquer forma, bastante interessante e aparentemente, não muito reconhecida como patrimônio local.



Logo adiante, cruza-se o Rio do Pinto por um pontilhão de concreto muito comum na região. As localidades espraiam-se ao longo dos cursos d'água, frequentemente cruzados por estas pontes bastante simples. As águas claras do rio, deslizando sobre as pedras, são um convite para banho, ainda mais em dias de calor. Vimos ao longo de todos cursos d'água muitos moradores aproveitando esta dádiva natural.


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A paisagem é certamente uma das mais bonitas do Estado. A cadeia de montanhas, paredões e mata verdejante fazem segundo plano em todas as paisagens, enquanto os riachos de águas cristalinas ladeiam a estrada.

A antiga igreja desta comunidade infelizmente foi parcialmente descaracterizada recentemente, revestida por azulejos. Felizmente, essa reforma parece reversível quando houver maior consciência de preservação do patrimônio no local.




Seguindo a estrada que ladeia o Arroio da Pedra Branca é possível encontrar, ainda, algumas habitações que parecem ter sido residência de colonos. A maior parte delas muito simples, denotando o pequeno desenvolvimento econômico da localidade. O destaque é a integração com a paisagem.

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Logo adiante avista-se, ao longe, a Cachoeira da Pedra Branca. A visita não estava nos planos - principalmente pelos relatos de más condições da estrada que havia lido na internet - mas foi impossível desprezar o magnetismo exercido por aquela paisagem natural.


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O trajeto até a Cascata é bastante longo, em especial porque conforme a cascata se aproxima, a estrada fica gradualmente mais "rústica", para utilizar um termo bastante brando. É necessário seguir devagar. Muitas pessoas frequentam diariamente o local com veículo de passeio, como fizemos, mas em especial nos últimos dois quilômetros da estrada, isso não é nada recomendável. A estrada é crivada de pedras irregulares, algumas mais altas, e tem muitos buracos de dimensões consideráveis deixados pelas chuvas e falta de manutenção.

A cachoeira, em si, compensa qualquer esforço realizado para atingí-la: a vista das águas deslizando pelo paredão, é simplesmente hipnotizante. Era sábado de verão e o local estava moderadamente movimentado.

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Energias recuperadas pela vista refrescante, enfrentamos novamente a estrada de volta, com cuidado redobrado. Conhecendo a estrada, foi possível curtir ainda mais a paisagem, que não cansa de surpreender.

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Seguimos até um dos sobrados enxaimel mais interessantes do litoral norte, e aparentemente, o único que restou em Três Forquilhas.

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Trata-se de um casarão de 1853, pertencente a família Jacoby. Infelizmente a imponência da edificação de dois pavimentos (e sua conservação) estão prejudicados pela vegetação descontrolada que cresce próxima do imóvel. Mas fica o registro de um dos exemplares de enxaimel mais valiosos do Estado, felizmente ainda existente e à margem de qualquer política de preservação.

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Com o avançado da hora foi impossível visitar as casas enxaimel em Itati (RS), como estava nos planos. Ficou para a próxima oportunidade. De qualquer forma, o passeio foi recompensador, pela vivência de algumas das paisagens mais belas que o Rio Grande do Sul proporciona.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Passeio rápido pelo Interior de Sapiranga: Picada Verão, Picada São Jacó e Alto Ferrabrás

Dia nublado, num sábado de verão muito quente, decidimos dar uma volta pelo interior de Sapiranga. A ideia era entrar a partir de Dois Irmãos, por Picada Verão, e descer até o centro de Sapiranga.



A área rural de Sapiranga, ao norte do município, é imensa, e faz divisa com os municípios de Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Maria do Herval e Nova Hartz. É composto por algumas localidades (picadas) colonizadas por imigrantes alemães. As estradas apresentam alguns problemas de manutenção e são um pouco mais degradadas do que as dos municípios vizinhos, mas é tranquilo circular por elas com veículo de passeio, tomando alguns cuidados.

Partindo de Dois Irmãos, a primeira localidade por onde passamos é a antiga Sommerschneis, a "Picada Verão". Já havíamos passado por ali recentemente, passando um longo tempo apreciando o antigo cemitério e a igreja luterana da localidade (muito semelhante à do centro de Dois Irmãos, núcleo com o qual essa picada nutria maiores relações); por isto esta vez apenas registramos a paisagem típica do local.

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 Vimos ao longe que a serra parecia encoberta com algumas nuvens, dando impressão de que choveria em seguida. Mais tarde percebemos que se tratava de neblina!

Adiante, encontra-se num entroncamento de estradas o que parece ter sido uma antiga venda colonial e/ou Salão de Baile. Não encontrei maiores informações nos livros que tenho ou na internet, mas pela proporção e localização estratégica, parece tratar-se de uma típica "venda" de interior.

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Trata-se de um dos exemplares de arquitetura enxaimel mais imponentes de Sapiranga. Apresenta elementos bem interessantes como a bandeira sobre a porta principal, o amplo sótão e janelas de guilhotina, influência da cultura construtiva luso-brasileira. A edificação não é reconhecida como patrimônio cultural em nenhuma instância e sua preservação depende do acaso!

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Pegando o caminho da direita no entroncamento, nos dirigimos a outra localidade, a antiga Jakobsthal, a Picada São Jacó. O caminho apresenta paisagens muito bonitas, e algumas edificações enxaimel remanescentes. Também neste percurso encontra-se o camping Deberovsky, onde existe uma cascata bastante visitada. Já na Picada São Jacó, alguns registros da paisagem cultural típica da imigração alemã.

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A igreja luterana da Picada São Jacó apresenta algumas semelhanças com as de Dois Irmãos e de Picada Verão, apresentando como diferencial duas janelas sineiras na torre.

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Todo o percurso até agora já era nosso velho conhecido, então decidimos subir até a localidade de Alto Ferrabrás. Quando atingimos a parte mais alta do morro, uma surpresa: mesmo com o calor e o dia abafado que fazia lá embaixo, a localidade de Alto Ferrabrás parecia em pleno inverno com tempo muito frio e uma espessa cortina de neblina (conhecida por aqui como "serração").

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O passeio seguiu inesperadamente em meio a neblina e a paisagem pontuada por muitas araucárias, com o frio e o odor da fumaça dos fogões a lenha acesos no ar. Paramos num pequeno cemitério da localidade, cercado por um murinho de taipa, que ainda apresenta poucos resquícios de sepulturas antigas.

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A última curiosidade ficou por conta de um antigo Grupo Escolar de madeira construído pelo governador Leonel Brizola, uma "Brizoleta". Aparentemente o prédio foi abandonado. Aquela pequena escolinha de madeira arruinada despertou muitas reflexões.

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Em seguida, o caminho contorna o morro saindo novamente na Picada São Jacó, de onde descemos para o centro de Sapiranga.

Deixou saudades o friozinho que fazia em Alto Ferrabrás.